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Jogos interativos ajudam no dia a dia dos alunos com Síndrome de Down

publicado: 25/05/2018 07h03, última modificação: 10/03/2026 19h09
Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) participa da VI Feira Nacional de Matemática (FNMAT) com jogos que interagem com os alunos na categoria Educação Especial
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Fazer compras e jogar um videogame são atividades que passariam despercebidas no dia a dia, mas quando fazem parte da VI Feira Nacional de Matemática (VI FNMAT), que está sendo realizada em Rio Branco, chama atenção pela participação de alunos que explicam como esses dois projetos contribuem para aprendizagem matemática de pessoas com Síndrome de Down.

O primeiro projeto, que recebeu premiação de destaque na VI FNMAT, denominado “A Matemática na Trilha das Compras”, apresentado pela Escola Especial da Amizade de Ituporanga (SC), ligada à Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) traz como proposta preparar alunos autônomos e independentes, através de uma relação direta com alguns itens de supermercado, como embalagens dos artigos de compra e receitas de bolos.

Acompanhando os dois expositores no stand as professoras Liliane Hofmann Justen e Cíntia Mara Kletemberg explicam como surgiu a ideia da realização do jogo. “A matemática na trilha das compras é um jogo que envolve o lúdico ao concreto e baseia-se em informações usadas no cotidiano dos participantes, destacando a importância de conhecer os produtos que utilizam, melhorando a concentração nos cálculos matemáticos”, diz a a professora Liliane.

No dia a dia, segundo a professora Liliane, os alunos enfrentam diferentes circunstâncias em que necessitam resolver cálculos para solucionar problemas matemáticos. “Lidamos com as compras de casa, conferimos o troco do comércio, realizamos somatória dos produtos, observamos rótulos, analisamos se permanecem no prazo de validade e formas de pagamentos. Este projeto foi desenvolvido com a função de facilitar a aprendizagem de conteúdos matemáticos pelos alunos”.

Aplicado durante o ano de 2016, o projeto é um jogo lúdico, desenvolvido com a turma de Iniciação para o Trabalho da Apae de Ituporanga, com a participação de dez alunos adultos com idades variadas que ficam na escola em período integral, todos com Deficiência Intelectual, quatro deles com Síndrome de Down associada e um com Deficiência Múltipla.

Os alunos participaram durante todo o período de execução do projeto, desde a confecção da trilha com informações a serem seguidas, dados numéricos de material reciclado, carrinhos de compras em miniaturas, réplicas de moedas e cédulas e também na elaboração das regras do jogo.

Durante a efetivação desse projeto, completa a professora Cíntia, foi evidenciado que ocorreu aprendizagem, despertando o gosto pelo jogo, o reconhecimento de todos sobre o uso social e função do dinheiro, e também a resolução de cálculos matemáticos. “Durante a aplicação prática optou-se pelo número de participantes no mínimo dois, iniciando o jogo com o dado para sortear o número maior por um dos participantes”.

Na apresentação e explicação do jogo participam os alunos Adriana da Silva, de 47 anos, e Volvey Rohling, de 41 anos. Adriana é quem explica o resultado prático do projeto no seu dia a dia. “Antes de saber como fazer compras, eu ficava em casa. Agora, acompanho minha família”. Este resultado, além de contribuir com as relações sociais familiares, o jogo contribuiu para que os alunos adotem uma rotina e consigam efetuar a venda de doces que produzem.

Videogame e aprendizagem

O outro projeto “Xbox 360: conceituando matemática através da tecnologia interativa na Educação Especial”, que recebeu premiação de destaque na VI FNMAT, conta com a participação de Robson Faustino e Marcos Lorenci, com idades de 14 e 15 anos, respectivamente, que se divertem jogando videogame e ainda fazem demonstração de como aprenderam a realizar cálculos matemáticos básicos de número, quantidade, paridade, maior e menor.

O projeto, orientado pelas professoras Jesebel Moccelini e Jeane Pagliari, foi desenvolvido através de uma proposta inovadora em uma ação interdisciplinar, envolvendo profissionais da Escola Especial Tia Ana de Videira (SC), também ligada à Apae. Jesebel Moccelini, é quem acompanha os dois alunos na feira, juntamente com a diretora da escola, Maria Campos Maccari.

Segundo Jesebel Moccelini, o projeto contou com o envolvimento de profissionais de Pedagogia e Informática Educativa. “Este projeto envolveu os profissionais dessas duas áreas, que contribuíram para remover barreiras, criando e aperfeiçoando métodos e estratégias para melhor atender nossos alunos”.

O projeto utiliza o Xbox 360 que permite grande variedade de interatividade com os jogos, vídeos, aplicativos, entretenimento e alta tecnologia e proporcionou aos professores executar um trabalho que teve como objetivo ensinar conceitos básicos matemáticos de noções de espaço desenvolvidos a partir da experimentação motora. “A referência para aplicação desses conceitos foi o próprio corpo do aluno, como direita e esquerda, frente e trás, em cima e embaixo, dentro e fora e entre objetos”.

Na apresentação, Marcos e Robson jogam, e ao final, fazem a soma dos pontos. Durante o jogo, eles realizam os movimentos coordenados pela orientadora, que vai definindo a utilização das pernas no espaço delimitado no chão. As ações são projetadas na tela do stand, através de um Datashow. A participação do público é interessante, que fica até o final, para compreender a importância do jogo.

O envolvimento dos dois alunos, que interagem com o público, é destacado pela orientadora. “Este é um dos principais resultados do jogo. O Robson, por exemplo, era muito tímido. Hoje, percebemos a mudança no comportamento dele e agora consegue interagir com quem está assistindo à demonstração”.

A VI Feira Nacional de Matemática (FNMAT) foi realizada pela primeira vez na região Norte, no período de 23 a 25/05, sendo coordenada pelo Instituto Federal do Acre (Ifac), com apoio da Ufac. Mais de 100 trabalhos científicos envolvendo as diversas áreas da Matemática foram apresentados durante o evento.