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Estudantes do Ifac retornam de intercâmbio nos EUA

publicado: 27/04/2020 13h29, última modificação: 08/04/2026 16h17
Adriano, Leandro, João Victor e José Sanklé contaram um pouco do dia a dia de aulas, estágios e voluntariado
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João Victor, Adriano Barboza, Sangella Pinheiro, José Sanklé e Francrisco Leandro durante intercâmbio nos EUA (Foto: Arquivo pessoal)

Os estudantes do Instituto Federal do Acre (Ifac), que realizavam intercâmbio nos Estados Unidos desde junho de 2019, retornaram ao Acre no início do mês de abril. O volta antecipada ocorreu devido à pandemia pelo novo coronavírus e também para preservar a saúde dos cinco intercambistas. Na última semana, os jovens participaram de videoconferência com a reitora do Ifac, Rosana Cavalcante dos Santos.

O encontro online também contou com a participação da assessora de Relações Internacionais, Maria Freire da Costa, e dos coordenadores de Projetos Internacionais, André Alfonso Peixoto, e do Centro de Idiomas do Ifac, Luiz Eduardo Guedes.

“É gratificante perceber o crescimento de todos eles ao retornarem do intercâmbio. Estamos felizes que todos chegaram bem e com saúde. Em breve poderemos dar andamento as nossas ações de intercâmbio e continuar proporcionando a outros estudantes essa oportunidade. Uma instituição que entende que o intercâmbio pode mudar caminhos e aposta na internacionalização como um projeto de vida, faz toda a diferença no dia a dia do estudante”, destacou a reitora do Ifac.

Durante o encontro online, Rosana Cavalcante dos Santos parabenizou os estudantes e reforçou o crescimento cultural e social adquirido durante os meses de estudo nos Estados Unidos. Ainda de acordo ela, a vivência do intercâmbio vai contribuir para que eles auxiliem outros estudantes nessa caminhada.

“Vocês estão super de parabéns e o esforço de cada um complementa a credibilidade da nossa instituição. Tudo o que vocês vivenciaram irá refletir em um retorno humano. Esse é um caminho importante. O mundo não tem barreiras, todos os limites são superáveis quando temos oportunidades. O sucesso de vocês durante o intercâmbio nos dá a certeza de que o caminho é continuar investindo em tecnologias e intercâmbios diversos. O resultado de vocês durante o intercâmbio foi muito importante e bonito”, complementou. 

Para Maria Freire e André Peixoto, que integram a Assessoria de Relações Internacionais do Ifac, ouvir os relatos de Adriano Barboza de Souza, Francisco Leandro da Silva Santos, João Victor Nóbrega Tavares, José Sanklé Teixeira Mariano e Sângela Pinheiro Nepomuceno, confirma a importância do trabalho que a instituição tem desenvolvido para fomentar novos intercâmbios.

“É recompensador ver o compromisso institucional que todos tiveram. Todas as vezes que vocês acertaram, vocês garantiram o nome do Ifac e a possibilidade de novas etapas em intercâmbios futuros. É fundamental que vocês sejam porta-vozes entre os demais alunos do Ifac para que cada vez mais essas ações se fortaleçam. Estou muito feliz em ter vocês de volta”, afirmou Maria Freire.

De acordo com Luiz Eduardo Guedes, o aprendizado durante o intercâmbio também vai contribuir para que os cinco estudantes desenvolvam projetos e pesquisas nos próximos meses. Segundo ele, a expectativa é de que cada intercambista realize uma ação.

“É importante sempre lembrar que a internacionalização é uma política de gestão. A reitora (Rosana Cavalcante dos Santos) sempre fez um trabalho muito cuidadoso e que prioriza essa área, pois sabe da importância que um intercâmbio tem para a educação e o futuro profissional. Agora, vocês precisam também apresentar tudo o que aprenderam e mostrar, por meio de projetos e ações, os conhecimentos. É importante que esse aprendizado seja repassado para outros alunos e a nossa comunidade”, ressaltou o coordenador do Centro de Idiomas.

Veja abaixo o que cada estudante contou sobre as experiências vivenciadas durante o intercâmbio nos Estados Unidos:

Adriano Barboza de Souza, acadêmico de Tecnologia em Agroecologia pelo Ifac/Campus Cruzeiro do Sul realizou intercâmbio no Mesa Community College, em Mesa (Arizona): No início foi um pouco complicado devido ao aprendizado do inglês. Precisei estudar bastante para me adaptar, pensei em desistir, mas com o auxílio de amigos, professores, com as aulas e força de vontade, consegui me adaptar à língua e às aulas. No primeiro semestre, tive somente uma matéria correspondente ao meu curso. Pensava que não ia conseguir, mas consegui e com uma nota boa. No segundo semestre, tive mais disciplinas relacionadas ao meu curso.

Convivi com vários estudantes. No local onde estudava tinham 12 estudantes de diferentes países. Sempre eram realizadas atividades no campus para que a gente apresentasse a nossa cultura. Fazíamos apresentação em classe ou fora do campus. A gente tinha que completar 100 horas de trabalho voluntário e 75 horas de estágio.

O mais importante dessa experiência foi acreditar em si mesmo. Nas vezes que a gente achou que não ia conseguir, que não ia dar certo, que não ia para frente, foi importante acreditar em si mesmo, seguir, ter força de vontade e sem preguiça. Foi uma experiência, grande desafio, uma oportunidade muito importante que nos foi dada. Foi um dos maiores desafios que já enfrentei, mas foi muito gratificante.

Francisco Leandro da Silva Santos, acadêmico de Licenciatura em Física pelo Ifac/Campus Sena Madureira realizou intercâmbio no College of DuPage, em Wheaton (Illinois): Cada estado tem suas particularidades e cada curso tinha um desafio diferente a ser enfrentado. O nosso primeiro desafio foi o domínio da língua inglesa. Também tivemos que aprender a organizar o nosso tempo para aprender a língua e se dedicar a esse aprendizado. Acredito que qualquer intercambista que não tem o domínio da língua e vai para um intercâmbio como esse, precisa estar preparado para enfrentar esse desafio, que é algo a ser superado. Eu não estou 100% na língua, mas a partir do momento que a gente vê o nosso progresso, em conseguir compreender, se comunicar com as demais pessoas, isso vai enriquecendo o nosso aprendizado.

Participei de uma conferência, no centro de Chicago, junto com vários universitários, com pessoas para discutir ideias, problemas e quais dificuldades cada uma enfrentava em sua instituição de ensino. Discutimos várias ideias, fiz contatos com pessoas da minha área (Física), como também com profissionais que trabalham com pesquisa científica. Usufrui o máximo dos EUA para me alinhar e pensar já no meu trabalho de conclusão de curso (TCC). Foi uma experiência muito importante e um marco para o intercâmbio. Sou muito grato em ter realizado vários sonhos, tanto em âmbito cultural, social e científico.

Lá também tive aula em um dos maiores laboratórios científicos dos EUA. Um espaço que tem vários cientistas renomados e que atuam em parceria com a NASA. Além de estudar a parte teórica, também tínhamos a prática, junto com telescopia, lançamento de partículas, energia escura. Isso foi muito gratificante, fiz fotos e vídeos. É sem palavras. Não tem como descrever tudo o que aconteceu. Foram muitos sonhos realizados, graças a essa perseverança e a nossa inserção na instituição. Precisamos ser gratos a isso.

João Victor Nóbrega Tavares, acadêmico de Bacharelado em Zootecnia pelo Ifac/Campus Sena Madureira realizou intercâmbio no Kirkwood Community College, em Cedar Rapids (Iowa): Amei ter participado do programa. Acho que cresci muito como pessoa. Desconstruí conceitos que tinha sobre algumas coisas que pensava não conseguir, mas que a gente acaba conseguindo se persistir. A primeira dificuldade enfrentada foi o inglês. Quando saí daqui acreditava que tinha o inglês básico, mas ao chegar lá vi que não tinha nada.

Compreendi também que ninguém fala inglês básico. Lá, as pessoas falam inglês. Isso foi muito complicado, pois quando via as pessoas tendo interesse em conversar comigo, querendo saber sobre minha cultura, sobre mim, eu não conseguia conversar, tirar as dúvidas, ou até mesmo perguntar sobre eles. Mas todos sempre foram muito legais e ajudavam. Quando a gente vai se acostumando e ouvindo a língua, a gente vai evoluindo e se desenvolvendo. Fui perdendo o medo de falar algo errado, ou inapropriado, e isso era muito engraçado.

A minha experiência com as aulas também foi algo muito bom. Achei que seria bem mais difícil, mas não foi. Nós tivemos aulas sobre a nossa área (Zootecnia) somente no segundo semestre. Estudamos sobre suínos e isso foi muito legal, pois já tinha tido aulas sobre isso em Sena Madureira. Lá tive a oportunidade estudar novamente. O ensino sobre a agricultura para eles é diferente do nosso. O que percebi é que eles focam muito na aula prática. As aulas teóricas eram poucas, pois o foco mesmo estava na prática. Aprendi muito também durante o meu estágio. As pessoas eram muito legais, receptivas, sempre ensinavam a gente. No final do intercâmbio, já conseguia fazer tudo sozinho, conseguia me comunicar sozinho.

José Sanklé Teixeira Mariano, acadêmico de Bacharelado em Zootecnia pelo Ifac/Campus Sena Madureira realizou intercâmbio no Kirkwood College, em Cedar Rapids (Iowa): O intercambio é de fases. A gente chega eufórico, passa pelo momento de saudade de casa, várias coisas na cabeça e alguns até pensam em desistir. Nós estávamos muito eufóricos, sem acreditar que estávamos lá. As perguntas não saiam da cabeça: Será que vou conseguir? Será que vou conseguir me comunicar? E ficar longe da família? Todas essas questões estiveram conosco, mas sempre tínhamos o pensamento positivo de que íamos passar por isso e conseguir. Saímos da nossa zona de conforto para conseguir realizar o sonho e os pensamentos ruins de que a gente não seria capaz passaram. Posso dizer que para mim, após dois meses, já estava me sentindo melhor.

Quando chegamos lá, tivemos um mês de aulas e durante esse período não sabia me comunicar muito bem. Via todas as pessoas falando inglês e acabava ficando um pouco preocupado. Mas depois, quando fomos inseridos nas aulas de inglês do nosso nível, isso foi passando. Após os dois primeiros meses, melhoramos a nossa capacidade de nos comunicar com os outros.

Durante o intercâmbio várias coisas aconteceram. Aprendi muito, tanto em relação ao inglês, como também em relação ao curso. O que estudei foi muito bom. No voluntariado e no estágio consegui aprender muito. A oportunidade que tivemos foi de muito aprendizado, tanto na vida pessoal, como profissional. Sou muito grato à instituição que nos ofertou essa oportunidade.

Sângela Pinheiro Nepomuceno, acadêmica de Tecnologia em Agroecologia pelo Ifac/Campus Cruzeiro do Sul realizou intercâmbio no Valencia College, em Orlando (Flórida). Já em casa com os familiares e informou que não conseguiu participar da videoconferência devido às dificuldades de conexão.