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Campus Xapuri

Servidor do Ifac é co-autor de trabalho publicado na Science

publicado: 02/06/2020 10h43, última modificação: 06/04/2026 17h36
Estudo que envolveu 225 cientistas de vários países relacionou resistência das florestas às mudanças climáticas e sua capacidade de estocar carbono
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O trabalho intitulado “Long-term thermal sensitivity of Earth's tropical forests” (em português, “Termossensibilidade a longo prazo de florestas tropicais”) aborda a resistência das florestas às mudanças climáticas e sua capacidade de estocar carbono. O artigo, publicado na revista científica Science no final de maio, é resultado de um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Leeds (Inglaterra), que envolveu uma rede de 225 cientistas de vários países. O técnico de laboratório do Ifac e integrante da Rede Amazônica de Inventários Florestais (Rainfor), Richarlly Silva, foi um dos colaboradores deste estudo no Acre, juntamente com outros pesquisadores.

Para compreender a importância da pesquisa, é preciso lembrar o papel das árvores na transformação de gás carbônico em oxigênio pelo processo da fotossíntese. Conforme explica Richarlly, “As árvores, por meio da fotossíntese, retiram carbono do ar e estocam em forma de biomassa no próprio indivíduo. Por isso, florestas são consideradas como sumidouros de carbono. Se pensarmos ao nível de grandes florestas, esse volume de carbono que é estocado é gigantesco. Porém, essa capacidade de realizar fotossíntese é, em grande parte, determinada pela temperatura, a qual, além do limiar estimado no trabalho, de 32°C diurnos, pode prejudicar essa capacidade de estocagem a longo prazo.”

Confira um vídeo sobre a pesquisa no canal da Rainfor

Para se ter ideia, um vídeo sobre o estudo no canal da Rainfor, no Youtube, afirma que “As árvores das florestas tropicais armazenam carbono equivalente a 25 anos de emissões de combustíveis fósseis.

A pesquisa relacionou dados do crescimento das árvores em áreas preservadas e sua capacidade de estocar carbono em diferentes condições climáticas. A partir disso, o estudo concluiu que as florestas podem estocar grandes quantidades de carbono mesmo em um mundo mais quente. No entanto, as temperaturas das florestas não podem passar de 32° C. “Muito deste carbono poderá ser liberado se as florestas morrerem com o aquecimento, acelerando as mudanças climáticas”, explica o vídeo da Rainfor.

Pesquisa de campo

Os resultados apresentados no artigo tiveram como base o trabalho de campo realizado por toda a rede de pesquisadores em florestas na América do Sul (RAINFOR), África (AfriTRON) e Ásia (T-FORCES). A atividade nas florestas consistiu na medição do diâmetro e altura das árvores a fim de descobrir quanto carbono é estocado sob diferentes condições climáticas e também para a identificação botânica.

No Acre, a equipe da qual Richarlly Silva fez parte, coordenada pela docente da Universidade Federal do Acre (Ufac), Sabina Ribeiro, realizou a remedição de mais de 2700 árvores em parcelas que vem sendo estudadas há décadas. Essa atividade ocorreu ainda em 2016 em parcelas situadas na RESEX Chico Mendes, na Fazenda Experimental Catuaba e na Reserva Florestal Humaitá. A campanha foi financiada pela Academia de Ciências Americana, com gestão financeira da SOS Amazônia.

De acordo com o pesquisador, “No estado, a pesquisa teve início nos anos 1990, com a instalação de parcelas permanentes de vegetação pela equipe dos professores Marcos Silveira e Foster Brown, da Ufac com participação de pesquisadores de outras localidades. As parcelas são revisitadas para novas medidas nas árvores, aproximadamente, a cada três anos.”

Outros pesquisadores que colaboraram na pesquisa no Acre foram Wendeson Castro e Jorcely Barroso.

O artigo está disponível para assinantes em: https://science.sciencemag.org/content/368/6493/869