Notícias

Inovação

Ifac e Ufac depositam pedido de patente de gel-creme fitoterápico para regeneração de pele em animais domésticos

publicado: 01/04/2026 13h21, última modificação: 01/04/2026 13h35
O produto, criado pela startup Cicapet, é desenvolvido por meio de nanotecnologia e bioativos naturais da flora amazônica
WhatsApp Image 2026-04-01 at 10.34.43.jpeg

O Instituto Federal do Acre (IFAC) e a Universidade Federal do Acre (UFAC) alcançaram um marco histórico para a ciência e a inovação tecnológica do estado: o depósito, junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), do Pedido de Patente de Invenção da formulação do gel-creme fitoterápico Cicapet — produto desenvolvido para acelerar a regeneração de feridas em cães e gatos por meio de nanotecnologia e bioativos naturais da flora amazônica. 

A conquista é fruto de um grupo de trabalho interinstitucional iniciado em maio de 2025, que reuniu pesquisadores e as equipes de inovação do Ifac e da Ufac em torno do desenvolvimento e da proteção intelectual da tecnologia. O pedido de patente foi depositado no dia 03 de março de 2026, em regime de cotitularidade entre as duas instituições — uma parceria inédita que evidencia a maturidade do ecossistema de inovação acreano. 

imagens_materias_capa - 2026-04-01T111043.345.png

O produto nasceu de pesquisa desenvolvida pela fisioterapeuta e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (PPG-Bionorte/UFAC), Adna Rocha de Araújo Maia. A tese é desenvolvida sob orientação do professor Luis Eduardo Maggi, docente da Ufac e que conta com expertise em biofísica e nanotecnologia. Além disso, o projeto conta ainda com a cocriação do professor e pesquisador Marcelo Ramon da Silva Nunes, do Instituto Federal do Acre, que também é especialista em biofísica e nanotecnologia.

Juntos, os três pesquisadores são cofundadores da startup Cicapet, incubada na Incubadora de Empresas do Ifac, e que tem como foco desenvolver e comercializar preparações farmacêuticas fitoterápicas para animais domésticos, com foco em cicatrização e regeneração de pele de forma segura e natural, sem agredir a pele do animal.

Antes mesmo do pedido de patente, a Cicapet já vinha se destacando junto ao cenário de inovação nacional e internacional. Exemplo disso são as premiações conquistada pela startup: 2º lugar no DemoDay Inova Amazônia 2024 (Sebrae/AC), aonde recebeu prêmio de R$ 20 mil; startup destaque no Inova Amazônia Macapá 2025, além de ser selecionada como TOP 1000 Prêmio Sebrae Startups, no Startups Summit em 2024, e ter participado de eventos de inovação representando o Acre, como no caso do Web Summit Lisboa (Portugal), em 2024.

Conforme explica Adna Maia, o produto combina conhecimento tradicional da flora amazônica com validação científica rigorosa e nanotecnologia, posicionando-se como uma alternativa eficaz e sustentável aos medicamentos sintéticos convencionais para o crescente mercado pet. “O diferencial de desenvolver um produto a partir da flora amazônica e da ciência feita no Acre está no acesso a bioativos únicos, desenvolvidos com matéria-prima fresca, rastreável e contextualizada pela cultura acreana. 

WhatsApp Image 2026-04-01 at 10.32.42.jpeg

WhatsApp Image 2026-04-01 at 10.32.43.jpeg

De acordo com o professor Marcelo Ramon, a proteção intelectual da formulação do gel-creme, por meio do pedido de patente, é um passo estratégico para viabilizar a transferência de tecnologia e levar a inovação ao mercado. 

“Essa etapa (pedido de patente) marca a transição da pesquisa acadêmica para o mercado e é o primeiro passo formal para a proteção da propriedade intelectual da formulação. Com essa proteção, a Cicapet ganha as condições legais necessárias para avançar nas negociações de licenciamento com empresas do setor veterinário e buscar parceiros para a produção do gel-creme em escala”, ressaltou Ramon.

A parceria interinstitucional foi coordenada pela Diretoria do Núcleo de Inovação Tecnológica do Ifac (NIT/Proinp), que atualmente está sob responsabilidade da professora Gabriela Cunha de Oliveira Munaretti, e pela Diretoria de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia da Ufac, comandada por José Humberto Araújo Monteiro. 

Conforme explica Gabriela Cunha, o processo encontra-se na fase de depósito do pedido de patente, formalmente aceito pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e, atualmente, em sigilo, aguardando publicação e exame técnico.

cicapet.png

“A transferência de tecnologia é o próximo passo: transformar o resultado da pesquisa em um produto disponível e acessível aos tutores de animais domésticos em todo o país. O gel-creme tem potencial de atender uma demanda real de quem busca alternativas naturais e seguras para o tratamento de feridas em pets. Por ser desenvolvido a partir da flora amazônica, a Cicapet contribui na valorização econômica da biodiversidade regional, mostrando que ciência de qualidade pode ser feita no Acre e para o Acre”, destaca Gabriela Cunha.

Para a pró-reitora de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, o trabalho de proteção intelectual desenvolvido pelo Ifac, em conjunto com a Ufac, é essencial no processo de assegurar proteção ao que é desenvolvido pelos pesquisadores. “Ao assegurar a propriedade intelectual, o Ifac valoriza o esforço dos nossos pesquisadores, evita usos indevidos e fortalece a capacidade de transformar pesquisa/conhecimento em soluções reais. É um cuidado para que a inovação chegue ao mercado reconhecendo o investimento público e retornando benefícios para a sociedade”.

Pró-reitor de Inovação e Tecnologia em exercício da Ufac, José Humberto Araújo Monteiro, acredita que apoio institucional é necessário para o sucesso da iniciativa: “O apoio institucional é o elo que transforma a criatividade científica em ativos de propriedade intelectual, garantindo segurança jurídica e gestão estratégica. Ao assumir burocracias, como o mapeamento de anterioridade e as normas do INPI, os Núcleos de Inovação (NITs) permitem que o pesquisador foque exclusivamente na ciência”.

Para o reitor do Ifac, Fábio Storch, o registro da propriedade intelectual é essencial para fortalecer o papel das instituições de ciência e tecnologia. “Ao auxiliar no processo de registro da propriedade intelectual, estamos criando e valorizando o trabalho cientifico que é desenvolvido por profissionais e pesquisadores, nas instituições de ciência e tecnologia. Além disso, é também uma possibilidade de abrir portas para novas parcerias, fomentar a inovação e fazer com que o processo científico chegue ainda mais longe”.

Além do pedido de patente do gel-creme fitoterápico, o Ifac já está trabalhando no registro de novas patentes, que são resultados de pesquisas científicas desenvolvidas por servidores da instituição e que se encontram em processo de validação junto ao INPI. A expectativa é de que, ainda em 2026, as solicitações sejam apreciadas pela autarquia federal.