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Campus Rio Branco

Pesquisadores do Ifac avaliam diversidade de morcegos na Resex Chico Mendes

publicado: 08/01/2026 12h39, última modificação: 08/01/2026 12h39
Durante a atividade científica também foram realizadas coletas de ectoparistas e registradas as composições de comunidades de morcegos na área ambiental
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Pesquisadores do Instituto Federal do Acre (Ifac), que integram o Laboratório de Biodiversidade (Labio) da instituição, realizaram uma nova visita à Reserva Extrativista Chico Mendes, na região em que se concentra os Sistemas Agroflorestais do Seringal Porongaba, em Sena Madureira. A atividade teve como principal propósito avaliar a diversidade de morcegos, através de captura e monitoramento científico.

Ainda de acordo com o docente do Ifac e coordenador do Laboratório de Biodiversidade, André Botelho, durante a visita à Resex Chico Mendes foi possível ainda registrar a composição das comunidades de morcegos na área ambiental, como também coletar ectoparasitas presentes nos morcegos, além de analisar a vegetação local e os frutos associados ao mamífero voador.

“Temos buscado fazer pesquisa de maneira integrada. Numa atividade como esta coletamos dados para mais de quatro projetos de pesquisa. Passar uma semana coletando dados e convivendo na Reserva Extrativista é fundamental, não apenas para o desenvolvimento científico dos nossos estudantes, mas também para a formação cultural deles. A convivência com comunidades tradicionais contribuiu para que os estudantes valorizem e respeitem a história do Acre”, afirmou André Botelho.

Ainda de acordo com o docente do Ifac, os dados coletados podem contribuir com informações importantes para estudos futuros, com foco na valoração dos Sistemas Agroflorestais, como modo de produção com alto valor de biodiversidade associado, e na compreensão de ações de conservação e acompanhamento contínuo da fauna de quirópteros na Resex Chico Mendes.

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A atividade também contou com a participação da estudante do curso de Ciências Biológicas do Ifac, Louise Emanuelle Araújo Peres. “Passar seis dias na Resex Chico Mendes estudando os ectoparasitas de morcegos foi uma experiência humana e científica inesquecível. A intensidade do bioma amazônico, com sua complexidade logística testou nossa resistência, mas a recompensa foi imensurável. Me senti mais conectada com a natureza e com o meu trabalho. A coleta dos ectoparasitas é vital, pois esses pequenos seres são peças-chave para a vigilância da saúde. Ao estudá-los, mapeamos vetores que podem transmitir doenças, protegendo tanto a vida selvagem quanto as comunidades da Resex”.

Richarly Silva, que é técnico de laboratório no Ifac e integra o Labio, destacou a relevância das pesquisas científicas desenvolvidas em unidades de conversação. “Pesquisas em unidades de conservação são de extrema importância, principalmente sobre grupos de morcegos, que são pouco estudados e desempenham os mais variados papéis na saúde das florestas. Integrar essas ações de pesquisa em sistemas produtivos, que representam uma das soluções para conciliar geração de renda e conservação florestal, é de extrema importância para nossa região. Além disso, a participação de alunos de graduação nessa atividade de campo é de grande valia para a formação acadêmica e profissional, além de contribuir para a promoção do ambiente de pesquisa existente no laboratório de Biodiversidade do Ifac”.

Ex-aluna do Instituto Federal do Acre (Ifac), a bióloga Vera Lúcia Silva ainda segue desenvolvendo ações científicas. “Foi um prazer participar deste campo de pesquisa na Reserva Extrativista Chico Mendes. A experiência com morcegos proporcionou momentos valiosos de ensino e aprendizagem, ampliando meus conhecimentos e fortalecendo minha prática científica. Me sinto honrada por contribuir com a pesquisa em um ambiente tão importante e significativo, em que cada atividade reforça a importância da conservação e da troca de saberes”.

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Por integrar as ações aprovadas em editais de Apoio à Pesquisa do Ifac, a atividade realizada na Resex também contou com a participação de pesquisadores externos, como o caso da bióloga Raina Maria Macedo Maia, formada pela Universidade Federal do Acre (Ufac). “Ter a oportunidade de compor a equipe de pesquisa é extremamente gratificante. Esta experiência tem proporcionado não apenas conhecimento técnico sobre quiropterofauna e ecologia, mas também um crescimento significativo nos âmbitos acadêmico, profissional e pessoal. A Reserva Extrativista Chico Mendes é um importante ponto de pesquisa para estudantes de diversas áreas de atuação”, ressaltou

Raina Maia, que desenvolve pesquisa sobre a dieta de morcegos da região, sob orientação da professora do Ifac, Camila Faustino, conta ainda que os estudos da fauna de morcegos têm contribuído para ampliar os conhecimentos sobre a interação ecológica entre o mamífero voador e as plantas. “Esta pesquisa vai além da simples observação: ela é fundamental para entender como esses animais contribuem para a saúde e manutenção da floresta. Os morcegos desempenham papéis ecológicos essenciais, atuando como controladores de pragas, polinizadores e dispersores de sementes de diversas espécies de plantas, algumas delas economicamente importantes para as comunidades extrativistas locais”, destacou a pesquisadora.

Fotos e informações: André Botelho/Campus Rio Branco