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Professor do Ifac expande “redes” em mais uma exposição artística
O professor de Artes do Ifac, Ueliton Santana dos Santos, arrumou sua rede (sua casa, sua identidade amazônida-acreana) e, neste domingo, dia 07 de março, deslocou-se novamente para temporada europeia pelas terras lusitanas, visando concluir o Doutorado em Arte Contemporânea pela Universidade de Coimbra (Portugal). Para quem por aqui ficou ele deixou a oportunidade de conhecer e admirar parte de seu trabalho com a exposição “Uma Identidade Amazônica em Rede”, mostra que segue até o dia 30 de março no salão do Sesc Centro, em Rio Branco.


A exposição foi aberta na sexta-feira, dia 04, à noite, com a presença de admiradores, amigos e representantes de organizações públicas e da sociedade organizada do meio cultural. A mostra abriu o projeto Calendarte 2016, tendo sido selecionada por edital. “É uma honra abrirmos a agenda do ano com trabalhos tão valiosos, comentou na vernissage a técnica de Artes Visuais do Sesc, Nárdia Taina de Araújo Lima Chaves, destacando ainda que a visita ao espaço é gratuita e que as escolas podem agendar atividades guiadas de segunda à sexta, das 8h às 12h e das 14h às 18h e sábado das 14h às 18h.


Na abertura da mostra, o artista plástico, músico, historiador, documentarista e poeta, Dalmir Ferreira, pediu a palavra reforçando o desejo de que esta exposição abra um ano vindouro para o projeto Calendarte. E o Prof. Douglas Marques Luiz, docente de música do Ifac e amigo do Prof. Ueliton, testemunhou a amizade que nasceu nas ações que ambos desempenhavam pelo Instituto Federal ainda no Campus Sena Madureira. “Além da amizade que nasceu com uma acolhida profissional, o artista também nos brinda com aprendizado constante”, disse para todos os presentes.
Embalos
Ueliton Santana vem costurando traços culturais em redes (com toda amplitude da palavra – das redes de dormir às redes sociais) há uma boa trajetória, e parte desta síntese vem sendo apresentada na força de pinturas, desenhos e objetos. Estudantes e pesquisadores de todo o Brasil que participaram do X Congresso Norte Nordeste de Pesquisa e Inovação (CONNEPI) no final do ano passado no Centro de Eventos Comfort, em Rio Branco, puderam admirar um pedaço desta nova exposição. A arte do Prof. Ueliton também esteve nas peças de divulgação de todo o evento nacional.


Já em “Uma Identidade Amazônica em Rede” o público pode assim admirar e refletir sobre a História do prisma de uma pessoa que nasceu na Amazônia e não um estrangeiro que passou por ela como a maioria dos livros traz. “Que esta ´rede´ seja um território de debate, pois nossa história só terá realidade quando o nosso imaginário a refizer, a nosso favor, considerando nossa produção simbólica” – escreveu o autor em artigo sobre o assunto.
Desenhos de índios seringueiros e pinturas de ícones sobre redes são algumas das peças da mostra que costuram a exposição, revelando a curadoria pelo tema e não por técnica. Algumas são produções bem recentes e já trazem a influência das pesquisas que o professor vem realizando como doutorando na Universidade de Coimbra. Na peça Tropicana Ocupação e outra ele traz ícones da influência da colonização portuguesa no Brasil e também com as varandas de crochê que foram acrescidas nas originais redes indígenas.


“A rede para mim amplia o embala dos braços maternos, que toma forma do nosso corpo para melhor servir, sempre disposta a se adaptar a qualquer território”, justificou o autor sobre a rede, abordando ainda seus aspectos históricos de suporte ao descanso, ao sono, ao transporte de pessoas e até a morte.
Novidades
De volta a Portugal, o artista-professor-aluno se prepara para uma mostra coletiva do doutorado que será lançado no próximo dia 15 de abril. Denominada “Motel Coimbra” a futura exposição faz um trocadilho (brincadeira) com a proposta de algumas horas de prazer, porém através das Artes. “Coimbra é uma cidade universitária que transpira conhecimento e arte. A experiência está sendo ótima, mas pretendo terminar o mais breve para estar de volta, se possível, até setembro”, contou.
Outra novidade, nessa entrelinha dos meses, é a ideia de uma exposição sobre o universo feminino, com abordagem diferenciada. “Você sabia que o exército já teve mulheres e que elas lutaram pelo nosso território?” pergunta, deixando a resposta como uma provocação do que há de vir.
Prof. Ueliton Santana é também Mestre em Ciências (UFRRJ) e especialista em Metodologia do Ensino da Arte. Professor do Ifac, ele já repassou seus conhecimentos como docente em oficinas para as comunidade acadêmicas dos campi de Sena Madureira, Rio Branco e Avançado Rio Branco Baixada do Sol, Xapuri e Cruzeiro do Sul.