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Campus Rio Branco

Seminário no campus Rio Branco propõe reflexão sobre desafios dos povos indígenas

publicado: 23/08/2017 10h31, última modificação: 08/01/2026 17h05
Atividade proporcionou debate entre lideranças indígenas e pesquisadores da área que puderam interagir com estudantes dos cursos técnicos e superiores do Ifac

Poucos dias passados desde a celebração do dia internacional dos povos indígenas, 9 de agosto, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) do campus Rio Branco promoveu seminário sobre os desafios desses povos no Acre durante todo o dia, na segunda-feira (21.08), no auditório da unidade. Para apresentar os temas, foram convidados estudantes e lideranças indígenas, além de pesquisadores da área que puderam interagir com estudantes dos cursos técnicos e superiores do Ifac.

O seminário faz parte do projeto de extensão “Povos Indígenas e Interculturalidade” desenvolvido pela docente de História, Alcilene Alves. Como parte das ações do Neabi, o projeto visa retratar questões étnico raciais a partir do viés de pesquisas e discussões com lideranças indígenas ou indigenistas com foco em questões ligadas a saúde, alimentação, terra e educação.

O seminário teve início no período da manhã, às 8h, com a fala da estudante de Antropologia e produtora cultural dos Huni Kuĩ, Mirna Rosário que contou sobre a luta desse povo que se estabeleceu no Parque ecológico Municipal de Plácido de Castro.

A nutricionista Norma Rocha apresentou dados sobre uma pesquisa que identificou taxas de desnutrição entre crianças indígenas e alternativas para melhorar a saúde delas com a inserção da vitamina A em sua alimentação. O estudo foi realizado com os povos huni kuῖ e madja no distrito sanitário Alto Rio Purus, Polo Base de Santa Rosa do Purus.

Os alunos que estudam no período vespertino assistiram a mesa redonda com representante da Federação Huni Kui e presidente do Conselho de Saúde Indígena, Ninawá Huni Kuĩ, que falou sobre saúde e sobre a importância do fórum como espaço de discussão sobre políticas públicas para os povos indígenas.

A servidora Suellem Valentim apresentou pesquisa desenvolvida em sua graduação em Nutrição, na Universidade Federal do Acre (Ufac), sobre as doenças desencadeadas com a mudança na alimentação dos indígenas Huni Kuĩ, de Plácido de Castro, com o consumo de alimentos industrializados.

A etnia manchineri também esteve representada no seminário, com a participação do aluno do curso de Logística do Ifac, Elgler Manchineri que falou sobre projeto de melhoria da produção de alimentos e comercialização na terra dos Manchineri. Elgler também justificou a importância da pesquisa para os indígenas melhorarem a sua produtividade e a conexão com os mercados consumidores não indígenas. A estudante do curso de História (Ufac) Soleane Manchineri e o pesquisador, Wendel Manchineri falaram sobre a ressignificação da identidade Manchineri a partir da migração da aldeia para a cidade.

A interdisciplinaridade na etnomatemática foi foco das pesquisas apresentadas pela professora Mara Riquelme que falou sobre as formas geométricas dos kenês entre os Huni Kuin, e pelo professor Morane Almeida que falou sobre a etnomatemática como princípio da interculturalidade.

Transdisciplinaridade no estudo dos povos indígenas

Vigente desde 2008, a lei nº 11.645, que inclui no currículo das escolas o estudo da “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” se apresenta como um desafio para os educadores, como explicou a coordenadora do projeto, Alcilene Alves.

“A perspectiva intercultural ainda se constitui um impasse para nós educadores, pois exige uma maior compreensão de lógicas híbridas, dificultando o diálogo, já que fomos ensinados dentro dos princípios formais. Essas dificuldades estão relacionadas aos estereótipos criados. No entanto, os jovens convivem em um universo mais rico, então só precisamos interpretar e desenvolver os aspectos críticos deixando de lado as ideias preconcebidas sedimentadas.”

Para a docente, um dos caminhos para a implementação exitosa dessas temáticas nas escolas é pelo debate. “A proposta da educação intercultural deve estimular o diálogo, no sentido de considerar as diferenças entre a cultura escrita, formal e a cultura oral, o cotidiano. Assim como a compreensão da diversidade exemplificada na discutição de gênero, etnia, linguagem, orientação sexual e sobre as diferentes opções religiosas, ideológicas, estimulando reflexões no processo de aprendizagem”, concluiu.

 

Fotos: Suellem Valentim e Wemerson Fittipaldy de Oliveira