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Campus Cruzeiro do Sul

Projetos desenvolvidos no campus Cruzeiro do Sul são destaque durante Viver Ciência 2017

publicado: 25/10/2017 15h55, última modificação: 16/01/2026 11h59
Evento contou com a apresentação de 24 projetos de pesquisas, 23 oficinas, palestras, rodas de conversa e exibição de filmes
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- Foto: Alunos explicando sobre vidrarias dos laboratórios de química do IFAC (Foto: Val Fernandes/Secom)

Além de ser sede do maior evento de ciência e tecnologia do Acre, o campus Cruzeiro do Sul também foi destaque durante a realização da 2ª edição da Mostra Acreana de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação - Viver Ciência, com a mostra de diversos trabalhos. Realizado durante os dias 24 e 25 de outubro, o Viver Ciência contou com a apresentação de 24 projetos de pesquisa e 23 oficinas, além de palestras, rodas de conversa e exibição de filmes. O evento, que é realizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Educação e Esporte (SEE), conta com parceria do Ifac e instituições locais.

De acordo com a diretora do campus Cruzeiro do Sul, Liliane Martins, o Ifac somou apresentação de projetos nas áreas de Química, Física, Biologia, Matemática, Ecologia, Agroecologia, Agropecuária e Zootecnia. Segundo ela, as atividades chamaram atenção do público, assim como também demonstraram todo trabalho educacional que é desenvolvido na instituição.

“A aquisição dos laboratórios para o campus contribui para que diversos projetos pudessem ser apresentados durante o Viver Ciência. Nas áreas de Química e Física, por exemplo, os estudantes juntamente com os professores, apresentaram experimentos de reações químicas, com magnetismo e eletricidade. Na área de Biologia, foi possível mostrar o funcionamento do corpo humano, células e tecidos. Os estudantes de Matemática, que fazem parte do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), demonstraram as experiências desenvolvidas em sala de aula com os alunos das escolas locais. Na área de Ecologia e Ciências Agrárias tivemos apresentações hidroponia, melipolinocultura, perfis de solos e semente, insetários, além de trabalhos envolvendo a Zootecnia e a utilização de pastagens em áreas degradadas”.

Para a reitora do Ifac, Rosana Cavalcante dos Santos, a apresentação de projetos, desenvolvidos por estudantes e professores do campus Cruzeiro do Sul, é resultado do trabalho que a instituição tem realizado ao longo dos anos, com foco na valorização da ciência e tecnologia. “Participar pelo segundo ano consecutivo da Mostra Viver Ciência, que acontece em Cruzeiro do Sul, é uma experiência positiva, pois o Ifac chega na região do Vale do Juruá mostrando o que temos feito na área de ciência”. 

Projetos

Um dos projetos apresentados durante o evento foi pela zootecnista e docente do campus, Ana Claudia Silva Dias, que abordou a apicultura, criação de abelhas com ferrão e a meliponicultura, criação de abelha sem ferrão. De acordo com a professora, são atividades que vem crescendo no Brasil, mas que no Acre ainda são poucas as pessoas que fazem investimento na área.

O projeto está sendo desenvolvido desde que a docente chegou ao campus, em 2014, devido a experiência com o trabalho com abelhas com ferrão, no Ceará. “Este projeto que estamos apresentando tem o objetivo de incentivar essa atividade na região, já que no Acre tem um potencial muito grande para a produção de mel. O que temos são produções pequenas, mas sem qualidade. Nossa proposta foi capacitar nossos alunos e estimulá-los para uma atividade nova”.

Segundo a docente, as abelhas Apis, ou com ferrão, tem potencial de produzir até 30 kg de mel por colmeia ao ano. O preço em média de 300 g de mel de Apis pode ser vendido entre 15 a 20 reais aqui no Acre, o que já seria uma atividade lucrativa, caso houvesse investimento na área. “Já de abelhas sem ferrão a produção pode ser de 3 a 5 litros e o preço vária de 50 a 80 reais o litro. E quando mais fracionamos em garrafas apropriadas mais se tem lucro”.

A cadeia produtiva da apicultura e da meliponicultura, de acordo com a docente, tem um potencial de crescimento muito grande, e não apenas o mel como produto. “A abelha pode produzir a cera, o pólen, a própolis, a geleia real, além dos equipamentos apícolas que são variados desde a colmeia, a indumentária, fumigador, os materiais para beneficiamento, e telas, dentre outros. É uma infinidade de possibilidades de crescimento econômico, e que precisa de pessoas com o olhar de empreendedor”.

O projeto tem o envolvimento dos alunos voluntários das turmas em que a docente ministra aulas e conta, também com atividade externa, com pesquisa para identificar o número de pessoas que atuam com produção de mel. “Fizemos um acompanhamento das pessoas que atuam na área e chegamos a um número com mais de 50 pessoas, que pretendemos acompanhar através de um projeto de extensão. Este projeto tem uma boa receptividade por parte dos alunos, mas ainda existe o receio de trabalhar com abelhas com ferrão. Entretanto, quando mostramos como funciona o manejo, quais os resultados, eles começam a compreender que pode ser uma atividade complementar na agricultura familiar”.

O mel apresentado durante o Viver Ciência é do apiário experimental do Ifac campus Cruzeiro do Sul e que foi montado para as aulas práticas. “Esta é uma amostra de uma produção inicial pequena, mas com potencial de expandir. Estamos apenas no começo e a proposta é expandir um pouco mais”.

A participação dos alunos durante a realização do Viver Ciência é destacada, ainda, pelo professor de Química do campus Cruzeiro do Sul, Pedro Nogueira. Junto com os alunos, o docente apresentou o funcionamento de um biodigestor, além das vidrarias que são utilizadas no desenvolvimento de reações químicas. Para ele, é importante que os estudantes tenham esse contato com a ciência, desde cedo, e que seja algo experimental, não seja algo teórico. “É importante que haja essa relação entre teoria e prática na vida deles”.

Fotos: Ifac/Campus Cruzeiro do Sul e Val Fernandes/Secom