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Campus Cruzeiro do Sul
Estudantes do campus Cruzeiro do Sul promovem mostra de cinema e debate
Orientados por Blenda Cunha Moura, os estudantes Abner Farias, Erica Ferreira, Jonas Oliveira, Júlia Ferreira, Romário dos Santos, Victor Manoel, Vitor Lírio e Vitória Melo promoveram, nos dias 22, 23 e 24 de maio, uma mostra de cinema, seguida de debates, que aconteceu no Cine Romeu, centro de Cruzeiro do Sul.
Aberto à comunidade, o projeto “De escravos a reis” teve por objetivo trazer à reflexão as distintas representações cinematográficas sobre os negros, utilizando o cinema como ferramenta pedagógica. A proposta buscou realizar uma análise cuidadosa dos efeitos do cinema sobre a auto representação e a representação do outro.
Segundo a orientadora do projeto, historicamente, os papeis dos negros no cinema tem girado em torno de sua escravização e de seu papel secundário e serviçal. “Recentemente, dois filmes, de destaque no Oscar, se concentraram em abordar o papel do negro: 12 Anos de escravidão (2013) e Pantera Negra (2018)”.

No primeiro, as mazelas da escravidão estão expostas, tal como as costelas dos açoitados. O ápice do filme é a libertação de um homem vendido como escravo, mesmo tendo nascido livre. Em “Pantera Negra”, uma cidade fictícia, Wakanda, é criada e ali uma paz baseada no isolamento internacional é a grande personagem do filme.
Blenda Cunha Moura destacou que, em debate com o público, os estudantes notaram que ambas as produções tratam dos negros como dominados ou totalmente livres de dominação, evoluídos e assépticos, dentro de uma lógica elitista e desenvolvida de mundo. “Por essa razão foi proposta uma terceira alternativa de representatividade: o filme senegalês Hoje (2012), que, por não ser do circuito do Oscar, acabou por não ter público”.
Na avaliação da docente, os debates foram bastante produtivos e, mesmo a ausência de público no filme senegalês, foi reveladora do quanto a indústria cinematográfica, que recorre à violência ou a efeitos especiais, educa olhares e gostos, fazendo com que seja difícil desnaturalizar alguns preconceitos.

“Finalmente, o cinema como ferramenta pedagógica merece ser analisado e seus discursos precisam ser expostos afim de que tenhamos uma compreensão mais lúcida de como as sociedades enxergam o negro, tanto de fora para dentro, quanto de dentro para fora” disse a docente.
Um dos organizadores da atividade, Victor Manoel, fez uma avaliação do projeto e dos debates seguidos à exibição dos filmes. “De escravizados a reis de um mundo ultra tecnológico, o papel do negro apresentado na grande indústria tem muito a revelar e o fim do preconceito passa necessariamente por essa análise”.
(Com informações do Campus Cruzeiro do Sul)