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Programa Presídios Leitores é destaque nacional no Prêmio Vivaleitura 2025

publicado: 28/04/2026 02h05, última modificação: 28/04/2026 02h05
Ifac é parceiro do programa realizado pelo Grupo de Investigação de Leitura e Vida, da Universidade Federal do Acre, Campus Floresta
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Coordenadora do programa, professora Maria José Morais (Ufac)

O Programa Presídios Leitores, desenvolvido em Cruzeiro do Sul (AC) e expandido para outros quatro municípios do Acre, conquistou reconhecimento nacional ao figurar entre os cinco melhores projetos do Brasil no Prêmio Vivaleitura 2025, na categoria Sistema Prisional e Socioeducativo. A cerimônia de premiação ocorreu no dia 23 de abril, em Brasília, reunindo representantes de projetos de todo o território nacional. Na ocasião, a coordenadora do programa, professora Maria José Morais (Ufac), esteve presente para receber o reconhecimento.

Criado em 2006 e integrado à política nacional de incentivo ao livro e à leitura, o Prêmio Vivaleitura é promovido pelo Ministério da Educação (MEC), pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). Seu objetivo é estimular, reconhecer e valorizar iniciativas que promovam a leitura, a literatura e a escrita como instrumentos de transformação social e educacional. 

Na edição de 2025, o prêmio contemplou práticas inovadoras em diferentes áreas, incluindo bibliotecas, escolas, escrita criativa e iniciativas desenvolvidas no sistema prisional e socioeducativo. Ao todo, 25 projetos foram premiados em todo o país. 

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O Programa Presídios Leitores concorreu com mais de 100 projetos de diferentes regiões do Brasil, alcançando posição de destaque entre os cinco melhores do país na categoria Sistema prisional e socioeducativo. Outro projeto acreano, “Escrevivências da Libertação”, de Rio Branco, foi o vencedor do Prêmio Vivaleitura na mesma categoria.

O Instituto Federal do Acre (Ifac) é parceiro do programa, que é realizado pelo Grupo de Investigação de Leitura e Vida (GIL), da Universidade Federal do Acre (Ufac), Campus Floresta, em Cruzeiro do Sul.

De acordo com a vice-coordenadora, professora do Ifac, Maria Ana Morais, esse reconhecimento mostra que a leitura realmente transforma vidas. “Ver o Programa Presídios Leitores entre os cinco melhores do Brasil fortalece ainda mais a nossa certeza de que vale a pena investir em ações que levem conhecimento, reflexão e novas oportunidades para quem está privado de liberdade. É um incentivo para continuarmos esse trabalho com ainda mais compromisso. A liberdade passa pela leitura.”

Presídios leitores

O Programa Presídios Leitores incentiva e fomenta a leitura para ressocialização da comunidade carcerária. O objetivo é fazer com que o reeducando possa ler um livro por mês, produzindo um texto resumo que é avaliado pelo quadro de revisores do programa. A atividade pode conferir o benefício da remição de quatro dias da pena da sentença. 

Atualmente, 445 pessoas são atendidas pelo programa em quatro municípios do Acre, sendo Cruzeiro do Sul o local com mais participantes ativos.

A parceria institucional do Ifac com o programa cria uma ponte para que servidores do Instituto participem integrando o banco de avaliadores, juntamente com bibliotecários e auxiliares de biblioteca que prestam assessoria voluntária, além de disponibilizar pontos de coleta para a campanha de doação de livros e apoio logístico às ações do programa. 

presidios leitores (4).jpegO servidor Raelisson Nascimento, diretor geral do Ifac Campus Cruzeiro do Sul, é colaborador e um dos membros fundadores do Presídios Leitores. Para ele, estar entre os finalistas no prêmio Vivaleitura é um merecido reconhecimento a uma iniciativa colocada em prática por muitas mãos.

“Esse reconhecimento é de extrema importância pois é necessário a gente olhar para o sistema prisional como um todo. É preciso entender que, somente prender a pessoa que cometeu um delito pode não ser suficiente para proporcionar uma verdadeira mudança. O programa Presídios Leitores traz essa possibilidade de mudança e nós, como profissionais da educação, acreditamos que a leitura é uma das ferramentas que proporciona a mudança de vida, além da questão da remissão da pena. Tem pessoas que participaram desse programa que relatam a importância da leitura naquele momento da vida deles, alguns falam que pretendem continuar estudando. Então esse reconhecimento do programa é muito justo. Parabenizo a professora Maria José pela coordenação do programa e aos avaliadores que se desdobram para realizar essa atividade que na maioria das vezes é feita de forma voluntária.”

Hilary Arambulo, estudante de mestrado na Ufac, colabora com o programa desde 2021 e afirma que a experiência tem sido transformadora. "O Presídios Leitores tem atuado tanto na minha formação acadêmica quanto na formação humana. Trabalhar com remição de pena pela leitura me permitiu vivenciar muitos momentos importantes, afinal é uma iniciativa pioneira em nosso estado, temos atingido muita gente. O contato com os reeducandos através das produções me permitiu perceber o poder transformador da leitura, e que existe sim a possibilidade de ressocialização."

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