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Campus Rio Branco
Pesquisadores promovem curso de extensão sobre formigas em Rio Branco
Entre os dias 28 de abril e 09 de maio, foi realizado o curso de extensão intitulado “Para que sua mente formigue: Uma introdução ao incrível mundo das formigas e da mirmecologia”, em Rio Branco, com a participação de professores e estudantes do Instituto Federal do Acre (Ifac).
O curso foi ministrado por três pesquisadores atuantes na área da ecologia de formigas na Amazônia: Patrícia Nakayama Miranda, do Ifac, Fernando Schmidt, da Universidade Federal do Acre (Ufac) e Ricardo Eduardo Vicente, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Também participaram como palestrantes duas ex-alunas do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do Ifac: Luane Karoline Fontenele Rocha, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Síntese da Biodiversidade Amazônica (INCT-SinBiAm) e Ketlen Bona, do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio).
O curso de extensão foi destinado a profissionais e estudantes de graduação em Ciências Biológicas e áreas afins, e teve como objetivo oferecer formação teórico-prática em estudos de biodiversidade, especialmente em ecologia e diversidade de formigas. A programação incluiu aulas teóricas, atividades de campo com métodos de coleta e introdução a protocolos padronizados de pesquisa, além de práticas de laboratório, como triagem e identificação, e introdução a difusão e divulgação científica.

Palestra de abertura com Dr. Ricardo Eduardo Vicente
O curso proporcionou formação teórica e prática em mirmecologia, abordando temas relacionados à bioecologia e diversidade de formigas, contribuindo para ampliar o conhecimento dos participantes sobre a importância ecológica e científica desses animais.
Foram realizadas atividades de campo voltadas às técnicas de coleta de formigas de solo e da vegetação. Entre trilhas, serrapilheira e muita troca de experiências, os estudantes puderam conhecer, na prática, parte da diversidade e da complexidade envolvidas na amostragem desses insetos sociais.
Os participantes também desenvolveram uma atividade aplicada sobre os gêneros de formigas que ocorrem no Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac, que resultou na elaboração de um folder educativo (acesse o material clicando aqui).
O seminário de encerramento, com mesa redonda envolvendo pesquisadores de formiga do Acre, promoveu discussões sobre temas atuais da mirmecologia na Amazônia. Além disso, os momentos de interação ao longo do curso contribuíram para o fortalecimento da rede de contatos entre profissionais e futuros profissionais atuantes na área.

Instalação de pitfall arborícola para coleta de formigas na vegetação
Para o professor Ricardo Eduardo Vicente, o curso proporcionou a interação entre pesquisadores iniciantes e experientes.
“Mais do que um curso voltado à identificação de formigas ou técnicas de coleta, essa atividade teve um papel importante na formação de uma cultura científica colaborativa na Amazônia. Um aspecto muito interessante foi aproximar estudantes em diferentes estágios de formação, desde pessoas que estavam tendo o primeiro contato com a mirmecologia até pesquisadores já inseridos na área. Esse tipo de interação cria um ambiente extremamente rico de troca de experiências, ideias e perspectivas.”
Outro ponto importante levantado pelo professor da Ufam foi demonstrar para os participantes do curso as diversas fases da pesquisa em biodiversidade, que, de acordo com ele, “não termina no campo ou no laboratório. Ao longo das atividades, os participantes puderam discutir divulgação científica, comunicação do conhecimento e construção de materiais educativos, aspectos fundamentais para aproximar a ciência da sociedade. Em regiões mega diversas como a Amazônia, formar pesquisadores capazes de integrar pesquisa, conservação e divulgação científica é algo estratégico para o futuro da ciência na região”, concluiu.

Atividade de identificação com uso de chave dicotômica
A engenheira florestal e mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Ciência, Inovação e Tecnologia para a Amazônia (PPG-CITA), da Ufac, Thaís F Menezes afirma que o curso mudou sua percepção sobre as formigas. “Na minha área, elas costumam ser vistas como pragas, mas o curso mostrou, com embasamento teórico e prático, que elas exercem funções ecológicas essenciais, como a dispersão de sementes. As práticas em campo foram fundamentais para observar de perto o comportamento e suas interações. Saio do curso com uma visão muito mais ampla sobre a importância da mirmecologia para a biodiversidade”, garantiu.
Marinara Lusvardi, que também é mestranda na Ufac, avaliou que “Foi uma experiência muito positiva pois é um aprofundamento que não temos durante a graduação e, se não estivermos num laboratório especializado, não temos acesso. Foi muito importante ter essa oportunidade e compreender o mundo das formigas de forma mais detalhada, com práticas de campo e laboratório.”
Já a estudante de Ciências Biológicas do Ifac, Dérdila Menezes afirmou que “O curso foi fantástico e superou as expectativas, entregando um conteúdo de altíssima qualidade em apenas duas semanas.”
A realização deste curso contou com o apoio técnico, logístico e financeiro de diversas instituições parceiras: Ifac, Ufac, Ufam, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Programa de Pesquisas em Biodiversidade (PPBio).


Seminário final sobre Mirmecologia na Amazônia e Acre
Com informações e fotos da organização