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V Festival AfroPedagógico debate mito da abolição e resistência da cultura negra no Ifac Rio Branco

publicado: 12/05/2026 19h51, última modificação: 12/05/2026 20h00
Evento gratuito reúne oficinas, capoeira, apresentações culturais e debates sobre racismo estrutural e educação antirracista entre os dias 14 e 16 de maio no Campus Rio Branco do Ifac
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O Instituto Federal do Acre (Ifac) realiza, entre os dias 14 e 16 de maio, no Campus Rio Branco, a quinta edição do Festival AfroPedagógico. Com o tema “Rodas de Liberdade – capoeira e folguedos na desconstrução do mito da Lei Áurea e na revelação do 14 de maio”, o evento propõe reflexões sobre os impactos históricos da escravização da população negra no Brasil e o papel das manifestações culturais afro-brasileiras como instrumentos de resistência, educação e transformação social.

A programação é gratuita e aberta ao público, reunindo painéis temáticos, oficinas, apresentações culturais e rodas de capoeira no campus localizado no Conjunto Xavier Maia.

O projeto é fruto de uma construção intersetorial e integra as ações do Programa de Extensão Capoeira e Folguedos no Ifac, contando com apoio institucional do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do Ifac (Neabi-Ifac). A iniciativa também tem forte participação do Grupo Candeias de Capoeira, supervisionado por Antônio Barbosa, o Mestre Saci.

A coordenação do festival é do professor doutor do Ifac, Cledir Amaral, conhecido na capoeira como contramestre Riquinho. O projeto foi aprovado no Edital 01/2026 de Arte e Patrimônio, lançado pela Prefeitura de Rio Branco, por meio da Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil (FGB), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura.

Além do festival, o Programa de Extensão Capoeira e Folguedos no Ifac também desenvolve outras ações, como aulas de capoeira e folguedos, gravação do álbum “Ecos do Berimbau”, batizado e trocas de corda de capoeira, além da elaboração de um Projeto Pedagógico de Curso (PPC) para Formação Inicial e Continuada (FIC) em Docência na Capoeira.

Segundo a organização, a proposta desta edição é desconstruir a ideia de que o 13 de maio de 1888 representou uma libertação plena da população negra escravizada no Brasil. O festival também pretende destacar o 14 de maio como símbolo das dificuldades enfrentadas pela população negra após a abolição formal da escravidão, sem garantia de direitos, inclusão social ou reparação histórica.

A programação também dialoga com o reconhecimento, feito pela Organização das Nações Unidas (ONU), do tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais grave crime já cometido contra a humanidade. O tema será debatido a partir de diferentes perspectivas históricas, culturais e pedagógicas, incluindo referências à música “14 de Maio”, do cantor e compositor baiano Lazzo Matumbi.

Durante os três dias de evento, o público poderá participar de oficinas de capoeira angola, capoeira contemporânea, maculelê e dança afro, além de acompanhar apresentações culturais e debates sobre racismo estrutural, pedagogia crítica e educação das relações étnico-raciais.

Programação

Quinta-feira | 14 de maio

  • 7h – Abertura

  • 8h – Painel “Racismo Estrutural e o Mito do 13 de Maio”

    • Expositor: Ivan de Castela (Fundação Elias Mansour)

    • Expositor: Giovanny Cley Silva (Movimento Por uma Universidade Popular)

Sexta-feira | 15 de maio

  • 16h – Oficinas de Maculelê e Capoeira Contemporânea

  • 18h30 – Apresentação de Maculelê e Capoeira

  • 19h – Painel “Pedagogia Crítica, Intersetorialidade e Educação das Relações Étnico-raciais”

    • Expositora: Mineia Spoltore (Unegro/AC)

    • Expositora: Ellen Cristina Setubal (Neabi/Ufac)

Sábado | 16 de maio

  • 16h – Oficinas e apresentações culturais com Mestre Saci, Contramestre Zagarra e Contramestra Pantera

O V Festival AfroPedagógico será realizado no Ifac Campus Rio Branco (Xavier Maia), com entrada gratuita.